Teoria Constitutiva#
A Teoria Constitutiva define de que forma será incorporada a tensão nos sólidos, que caracteriza a interação sólido-sólido, e a forma da força resistiva, que caracteriza a interação fluido-sólido.
Tensão nos sólidos#
Partindo da hipótese básica de que a suspensão é um meio isotrópico, D’AVILA and SAMPAIO1 indicaram uma representação para o tensor tensão, com as seguintes considerações:
O tensor possui apenas componentes normais (pressão estática) à superfície de contato entre as partículas, dependendo da porosidade do meio.
O componente da tensão extra depende apenas da concentração da mistura, idêntica a porosidade do meio
Assim o tensor de tensão nos sólidos é escrito como:
Ainda é preciso de uma equação para descrever a pressão nos sólidos em função da porosidade do meio.
Pressão nos sólidos#
A equação utilizada nas zonas de sedimentação onde a interação sólido-sólido é significativa, é uma reparametrização proposta por Rocha et al.2:
Onde \(P_{ref}\) e \(\beta\) são parâmetros da teoria constitutiva da pressão nos sólidos, e \(\varphi _{ref}\) é a concentração de referência.
Dessa forma, o tensor de tensão nos sólidos pode ser derivado usando a regra da cadeia:
Força Resistiva#
Com base no modelo de interação sólido-líquido de SILVA TELLES and Massarani3, a força resistiva entre as fases é função da viscosidade aparente da suspensão \(\eta_{susp}\), da permeabiliade do meio \(K\), e da velocidade da fase sólida \(v_s\), na forma de:
Rocha et al.2 propuseram uma forma para a força resistiva, combinado com o conceito de viscosidade global de uma mistura de Bürger4, com base na taxa de cisalhamento característica e tensão cisalhante:
Note
Esse modelo é dependente de uma expressão para calcular a permeabilidade do meio poroso, e da tensão viscosa.
Permeabilidade#
A permeabilidade do meio poroso, é calculada através da equação modificada de Tiller5, proposta por Rocha et al.2:
Tensão Viscosa#
Para completar a teoria constitutiva, é necessário caracterizar o modelo reológico do fluido através dos termos de tensão viscosa e taxa de cisalhamento característica, que representam a viscosidade aparente da suspensão.
Uma forma para calcular a viscosidade aparente, é baseada em dois aspectos:
O primeiro é a definição da taxa de cisalhamento característica para fluidos não-Newtonianos, conforme SILVA TELLES and Massarani3.
O segundo, é a adoção do modelo reológico.
A expressão para a taxa de cisalhamento característica, considera a esfericidade da partícula da fase sólida, de tal forma que possa ser escrita como:
Onde a função de esfericidade \(f(\phi)\), definida por Laruccia6, tem a seguinte forma:
Para determinar a tensão viscosa, deve ser adotado um modelo reológico que melhor represente o comportamento da suspensão.
Note
Para mais informações sobre a definição de um modelo reológico, consultar a seção Reologia.
- 1
JS D’AVILA and R SAMPAIO. Equações de estado para a pressão no sólido. Congresso Brasileiro de Engenharia Química, 1977.
- 2(1,2,3)
Robson R Rocha, Bruno F Oechsler, Luiz AC Meleiro, Flávia M Fagundes, Fabio O Arouca, João JR Damasceno, Claudia M Scheid, and Luis A Calcada. Settling of weighting agents in non-newtonian fluids to off-shore drilling wells: modeling, parameter estimation and analysis of constitutive equations. Journal of Petroleum Science and Engineering, 184:106535, 2020.
- 3(1,2)
A SILVA TELLES and G Massarani. Escoamento de fluidos não-newtonianos em sistemas particulados. Revista Brasileira de Física, 9(2):535–550, 1979.
- 4
RAIMUND Bürger. Phenomenological foundation and mathematical theory of sedimentation–consolidation processes. Chemical Engineering Journal, 80(1-3):177–188, 2000.
- 5
FM Tiller. Basic data fitting in filtration. J. Chin. I. Chem. Engrs., 11:61–67, 1980.
- 6
Moacyr Bartholomeu Laruccia. Velocidade de sedimentação em fluidos não-newtonianos: efeito da forma e da concentração de partículas. PhD thesis, [sn], 1990.